Foto pesquisada gentilmente por Gilberto Castro
ESTAÇÃO FERROVIÁRIA
Uma imagem que frequentemente vem à minha memória
é a da antiga Estação Ferroviária de Rosário do Sul, nos anos 1960. A
edificação, que marcou uma época na história da cidade, muitas vezes
transformava-se em um verdadeiro parque de diversões para um grupo de jovens
que se aventurava pelos vagões estacionados no pátio de manobras, para
desespero dos ferroviários encarregados da vigilância.
Em sua gare, o movimento de chegadas e partidas
era intenso. Muitos desembarcavam com a esperança de construir uma nova vida e
encontrar dias melhores. Outros partiam em busca de oportunidades, seja no
campo profissional, cultural ou acadêmico. A estação era, acima de tudo, um
ponto de encontro entre sonhos, despedidas e recomeços.
Na primavera, esse mesmo espaço recebia um
público diferenciado. Jovens estudantes de toda a Fronteira Oeste chegavam para
participar dos tradicionais Jogos Intermunicipais da Primavera,
uma verdadeira olimpíada regional que reunia modalidades esportivas coletivas e
individuais. Durante esse período, surgiam novas amizades, nasciam amores e
eram compartilhadas experiências que ficariam guardadas para sempre na memória
dos participantes. Alguns desses vínculos duravam apenas o tempo das
competições; outros permaneciam por muitos anos.
Após dias de disputas marcadas por suor,
dedicação, superação e espírito esportivo, chegava o momento das despedidas.
Vitórias eram celebradas, derrotas transformavam-se em aprendizado, e todos
retornavam para suas cidades levando consigo histórias para contar. O cenário
era o mesmo da chegada: a Estação Ferroviária. Não era um adeus, mas apenas um
“até logo”.
Este relato registra apenas alguns dos inúmeros
episódios vividos nesse prédio que hoje parece esquecido pela história. Durante
décadas, a estação desempenhou papel fundamental no desenvolvimento econômico,
social e turístico de Rosário do Sul. Por isso, surge uma reflexão: por que não
transformar esse espaço em um centro de memória, capaz de contar sua própria
história e preservar as lembranças de tantas gerações que por ali passaram?
Resgatar esse patrimônio é também valorizar a identidade e a trajetória de
nossa comunidade.
Iedo Jaques
Pai, estive em Rosário no verão e infelizmente a estação do trem foi ocupada por várias famílias, claro, me solidarizo com as pessoas que necessitam de moradia, mas é triste ver um prédio tão importante não ser preservado.
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