quarta-feira, 3 de junho de 2026

 

Foto pesquisada gentilmente por Gilberto Castro
Meus agradecimento ao Grupo Rosário do Sul Antigo

ESTAÇÃO FERROVIÁRIA

Uma imagem que frequentemente vem à minha memória é a da antiga Estação Ferroviária de Rosário do Sul, nos anos 1960. A edificação, que marcou uma época na história da cidade, muitas vezes transformava-se em um verdadeiro parque de diversões para um grupo de jovens que se aventurava pelos vagões estacionados no pátio de manobras, para desespero dos ferroviários encarregados da vigilância.

Em sua gare, o movimento de chegadas e partidas era intenso. Muitos desembarcavam com a esperança de construir uma nova vida e encontrar dias melhores. Outros partiam em busca de oportunidades, seja no campo profissional, cultural ou acadêmico. A estação era, acima de tudo, um ponto de encontro entre sonhos, despedidas e recomeços.

Na primavera, esse mesmo espaço recebia um público diferenciado. Jovens estudantes de toda a Fronteira Oeste chegavam para participar dos tradicionais Jogos Intermunicipais da Primavera, uma verdadeira olimpíada regional que reunia modalidades esportivas coletivas e individuais. Durante esse período, surgiam novas amizades, nasciam amores e eram compartilhadas experiências que ficariam guardadas para sempre na memória dos participantes. Alguns desses vínculos duravam apenas o tempo das competições; outros permaneciam por muitos anos.

Após dias de disputas marcadas por suor, dedicação, superação e espírito esportivo, chegava o momento das despedidas. Vitórias eram celebradas, derrotas transformavam-se em aprendizado, e todos retornavam para suas cidades levando consigo histórias para contar. O cenário era o mesmo da chegada: a Estação Ferroviária. Não era um adeus, mas apenas um “até logo”.

Este relato registra apenas alguns dos inúmeros episódios vividos nesse prédio que hoje parece esquecido pela história. Durante décadas, a estação desempenhou papel fundamental no desenvolvimento econômico, social e turístico de Rosário do Sul. Por isso, surge uma reflexão: por que não transformar esse espaço em um centro de memória, capaz de contar sua própria história e preservar as lembranças de tantas gerações que por ali passaram? Resgatar esse patrimônio é também valorizar a identidade e a trajetória de nossa comunidade.

Iedo Jaques

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