quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

 

SAUDADE

Ouvi, ao longe, uma música gaúcha — Idas e Vindas — e, como quem não pede licença à memória, fui tomado pela saudade da minha cidade natal, uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul.
A melodia abriu portas antigas, daquelas que o tempo insiste em manter entreabertas.

E então surgiu a pergunta, silenciosa e insistente:
como é possível sentir saudade de uma fase da vida marcada por tantas dificuldades?
Escassez financeira, fragilidade na estrutura familiar, o peso da discriminação social.
Dias em que faltava quase tudo — inclusive perspectivas de conquistas mínimas, dignas apenas de sobreviver.

Ainda assim, a saudade veio.

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