SAUDADE
Ouvi, ao longe, uma música gaúcha — Idas e Vindas — e, como quem não pede licença
à memória, fui tomado pela saudade da minha cidade natal, uma pequena cidade do
interior do Rio Grande do Sul.
A melodia abriu portas antigas, daquelas que o tempo insiste em manter
entreabertas.
E então surgiu a pergunta, silenciosa e
insistente:
como é possível sentir saudade de uma fase da vida marcada por tantas
dificuldades?
Escassez financeira, fragilidade na estrutura familiar, o peso da discriminação
social.
Dias em que faltava quase tudo — inclusive perspectivas de conquistas mínimas,
dignas apenas de sobreviver.
Ainda assim, a saudade veio.
Nenhum comentário:
Postar um comentário