quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

 

SAUDADE

Ouvi, ao longe, uma música gaúcha — Idas e Vindas — e, como quem não pede licença à memória, fui tomado pela saudade da minha cidade natal, uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul.
A melodia abriu portas antigas, daquelas que o tempo insiste em manter entreabertas.

E então surgiu a pergunta, silenciosa e insistente:
como é possível sentir saudade de uma fase da vida marcada por tantas dificuldades?
Escassez financeira, fragilidade na estrutura familiar, o peso da discriminação social.
Dias em que faltava quase tudo — inclusive perspectivas de conquistas mínimas, dignas apenas de sobreviver.

Ainda assim, a saudade veio.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

MEMÓRIAS

O ano de 2026 carrega para mim um peso especial: é o ano em que,  completarei 80 anos. Sempre enxerguei a vida dividida em duas margens. Em uma delas, a cada virada do ano, lançamos desejos ao futuro, traçamos planos e projetos — muitos que o tempo, silenciosamente, não nos permitirá cumprir.

Na outra margem, junto ao grupo ao qual pertenço, voltamos o olhar para trás e avaliamos o caminho percorrido. É desse exercício de lembrança que nasce a decisão de registrar minha trajetória. Faço isso sem ordem, fora da linha do tempo, deixando que as memórias me encontrem quando quiserem. Coisas de quem já caminhou bastante.

Seja bem-vindo. Hoje é